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Árida, em circulação

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Árida, video still, Nuno Beira

Este mês, apresentamos Árida no contexto do Festival Entrelaçados, no Teatro TEMPO, em Portimão. Na conversa pós-espectáculo, foi interessante falar com o público sobre as noções de aridez, de vastidão e de expansão do espaço cénico na envolvência do Barlavento Algarvio, mundo Natural a que fui buscar referências para a construção deste trabalho.

Próximos espectáculos: TAGV, Coimbra, Março 2018.


Espaço de trabalho

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Nos meses de Outubro e Novembro o Estúdio do Atelier Real acolhe o projecto artístico Árida, de Maria Ramos. 

 

Atelier Real


Texto sobre Árida, de Hugo Monteiro, docente e investigador

i. Nenhum corpo se experimenta sem desadequação. Porque não há experiência sem desadequação. (Ponto um. Ponto único.)

ii. O corpo experimenta-se pela extremidade, pela pele, pelo rebordo e pela superfície. Toca outras extremidades e organiza-se a partir desse toque – e permanentemente se desadequa, acorda de cada vez para a sua assimetria, angulosidade, rotundidade, peso e leveza… Por isso o corpo desperta a cada passo, e de cada vez reaprende a andar, a locomover-se e a resistir, ágil ou trôpego, volátil ou solidificado.

iii. E, por isso mesmo, Árida faz justiça ao próprio argumento da sua apresentação – “composição coreográfica” – quando a articulação entre corpo e espaço exige um processo de composição. Nada está arrumado, nem estabelecido, nem programado, quando o corpo negoceia e se confronta com as superfícies em que toca, numa ânsia de construir uma lei própria e um espaço que seja seu. A composição é o processo pelo qual, sentida a inadequação essencial, o corpo se conflitua criativamente com o que se lhe opõe, aspirando à lei própria e desejando construir a partir de si mesmo: em oposição, em reaprendizagem, em resistência.

Texto escrito a propósito das apresentações de Árida no festival Dias da Dança, Porto, Maio 2017.

O texto pode ser lido na íntegra aqui.


Entrevista Coffeepaste

Já trabalhaste a partir do trabalho do escultor Antony Gormley. O que te fascina na sua obra?

Coreografar é um terreno de pura invenção, não há regras específicas que tenhamos que cumprir, parece-me, é uma forma de arte cativante por isso. E pode-se coreografar mesmo quando não há pessoas. Acho interessante partir para um trabalho coreográfico com um certo grau de desprendimento do corpo, afinal o corpo não é a essência da coreografia, talvez a relação espacial entre os corpos seja. O Antony Gormley coloca o corpo, assim, em frente e dentro do mar a erodir e exposto ao tempo. Ou no alto de uma montanha, a contemplar. Ou com um buraco no tórax para o ar passar. Acho interessante este escultor expor o corpo aos elementos naturais. Acho interessante o buraco no tórax por onde o ar passa. E o facto de muito do seu processo de construção para fazer uma escultura passar pelo seu próprio corpo. O espaço que o seu corpo ocupou está agora desocupado e é espaço dentro das esculturas.

Coffeepaste

Entrevista completa Coffeepaste / Full interview 


Haute Lumière

Maria Ramos & Vinny Jones

You know there are three dancers standing in the dark space, but what you see are just three torsos, illuminated by light bulbs at hip height getting sharper and sharper. The torsos start making angular movements, the arms sometimes turn out like claws. In the end, each dancer swings the light cable like a pendulum and light stripes shoot out through space. Applause starts, the rehearsal in the studio of the ArtEZ, in Arnhem, has ended. Choreographer Maria Ramos and light designer Vinny Jones will première the piece in a week and are busy discussing the details of the work. In Nerves Like Nylon, the lighting plays a central role. Not only does the sophisticated design determines the mysterious atmosphere, but it also makes dancers look like classical sculptures. The light has a substantive function in the piece. ‘Light does not only color a performance, it must be part of its dramaturgy’. Anneke Stoffelen, deVolkskrant, April 2008

Free translation.

Full article in Dutch

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